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14/01/2004 16:05
Perdas
Ontem, contando o assalto que sofri a uma amiga na faculdade, ela me disse que não poderia perder seu cordão por nada, havia sido presente (também de quinze anos, eu acho) de uma amiga. A diferença desta para a minha história está no fato de a amiga não estar mais entre nós. Fiquei pensando: até hoje nunca perdi um(a) amigo(a), digo, nenhum amigo meu já faleceu. Já perdi tios (quase todos os irmãos da minha avó), um primo (meio distante) e um irmão que não cheguei a conhecer pessoalmente. Também já houve as perdas amorosas, claro. Perda aqui com um sentido diferente de morte física. Toda perda gera dor e sofrimento, em menor ou maior intensidade, não se tem como ficar impassível. Com o passar do tempo, a diferença é que a intensidade vai diminuindo, o tempo de vivência da dor diminui, afinal, as perdas sofridas já foram tantas, não se pode ter a mesma reação que uma dor primeira, as seguintes acabam sendo influenciadas, tornam-se mais brandas, creio que dificilmente são mais fortes, a menos que o motivo da dor seja novo, ou experimentado pela primeira vez. Por isso eu acho de extrema importância viver a dor de forma plena, viver todos os sentimentos, na verdade, mas a dor de preferência. Nunca é tempo perdido, pelo contrário, é tempo ganho. Ajuda a não repetir comportamentos anteriores, a não, agora sim, perder tempo com repetições que em nada acrescentam. E nada disso exclui a unicidade de cada experiência.
enviada por Someone
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