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24/01/2004 14:31

Adolescência e poesia

“(...) todo poeta começa por ser lírico, seja na evolução de sua obra, seja no ordem dos impulsos que lhe comandam a visão do mundo, justamente porque o lirismo constitui verbalização imediata e primeira de suas inquietudes emocionais e sentimentais. O lirismo seria o estado ‘natural’ do ‘eu’ para si próprio, e, portanto, a expressão da reação mais pronta do poeta em face dos estímulos de fora, e mesmo de dentro. O estado lírico seria o modo ‘natural’ de toda a gente, sobretudo o poeta, comportar-se perante o mundo, a Natureza e os homens. Por isso, o poeta lírico expressaria emoções e sentimentos comuns à média das pessoas, especialmente adolescentes. Na verdade, o poeta lírico obedece a agentes estimuladores semelhantes àqueles que, nos anos juvenis, obrigam o moço a transformar em ‘poesia’ (lírica) os sentimentos de dúvida e incerteza que acompanham a crise de personalidade própria da idade. Ou, quando não se acredita dotado de ‘qualidades literárias’, o jovem canaliza para as confidências com os amigos da mesma idade, ou os psicanalistas, os mestres, etc., todo o seu arsenal de lirismo difuso. O poeta lírico mantém-se ‘fixado’ nesse estágio e encara o mundo emocional e sentimentalmente, isto é, como adolescente. De onde, o impulso lírico estaria na raiz de qualquer ato estético, em especial do ato poético.” (MOISÉS, Massaud. A Criação Literária: Poesia. 15 a. ed. São Paulo: Cultrix, 2001, pp. 234-235.)

enviada por Someone






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