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21/01/2004 23:25



"A minha imagem da Arte é como um Móbile. Um Móbile é uma escultura abstrata que você não pode fotografar. O Móbile não tem frente nem verso nem lado. O ser do Móbile é o movimento. Então, eu berro no início do disco: sou um Móbile solto no furacão, exatamente por causa disso. O Móbile solto no furacão é um movimento infinito, uma velocidade infinita e a minha relação com a arte, e, conseqüentemente, na prática que tenho, que é música, ela tem que se dar desta maneira: só sinto paz na instabilidade, a paz do móbile é o seu movimento. Tudo meu é exagerado, mas como são muitas coisas exageradas, elas de uma certa maneira se equilibram dentro dessa multiplicidade de facetas visuais, de facetas artísticas. No Móbile, especificamente, eu acho que comecei a investigar sonoricamente isso." (Paulinho Moska)

_______

No sábado, dei uma revisitada no CD Móbile (1999), do Moska (com o Paulinho como primeiro nome antes). Ouvi na MPB FM a música “Sem dizer adeus” em uma voz feminina, não lembro o nome da cantora agora, daí peguei o CD e ouvi tudo. Vou deixar alguns trechos...


Onde anda a onda
(Paulinho Moska)

Pra onde essa onda vai?
De onde essa onda vem?
Eu não sei o que ela me traz
Mas o meu desejo é que me leve também
[...]


Tudo é possível
(Paulinho Moska)

[...] Eu sei que o Tempo é uma grande árvore
De galhos infinitos
E que o presente é o momento
Em que ela dá seu fruto mais bonito
E que amanhã tudo talvez
Nos apareça claro como foi no início
A mesma ilusão de amor nos faz saltar feliz
De um novo precipício
E então vamos sentir de novo
O gosto da eternidade
E confundir instantes de alegria com a real felicidade
Ou, sem percebermos,
Os dias irão passando como um trem sem estação
E lá estaremos nós com os pés no chão
Mas encostando o céu com a palma das mãos


Sem dizer adeus
(Paulinho Moska)

[...] Eu
Fiquei sozinho até pensar
Que estar sozinho é achar que tem alguém
Já me esqueci do que não fiz
E o que farei pra te esquecer também?
Se eu não sei o nome do que sinto
Não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei
Eu andei...


Cedo ou tarde
(Paulinho Moska)

Desde o começo do dia
Ela espera acabar com sua dor
Alguma luz que apague
As feridas da noite anterior
Quando a vida enfim parecia
Lhe ter dado a chance de abraçar o amor
Ele fugiu pela porta no fim do corredor
[...]


Por acaso em Osaka

Eu vim andando, vagando, vagabundeando
Pelas ruas da cidade
Eu vim chorando, sorrindo, não quero entender
O porquê dessa dor que me invade

Certas manhãs ou à tarde
Todas as noites ela vem e me arde
Na madrugada de sol desse quarto de hotel

Nada de beleza nua
Só a solidão tão crua
De deslizar minhas palavras tão tristes neste papel
[...]


Ímã
(Paulinho Moska)

Acabo de pousar na sua janela
E mesmo sem você notar
Estou aqui porque não consegui
Me distrair por aí
Afinal,
O que é que eu posso fazer
Se não me lembro mais
O que era antes de te conhecer?
[...]


Debaixo do sol (morrendo de frio)
(Paulinho Moska)

Estou debaixo do sol, morrendo de frio
Procurando qualquer coisa no bolso, mas está vazio
Andando pra nenhum lugar, falando sozinho
Coitado do meu coração
Que se partiu em pedaços em vão

Não me lembro do instante exato, mas sei que caí
No seu abismo de braços e nem percebi
Só consigo recordar a perda de foco
E a ausência de luz
Quando acordei já estava na cruz
[...]

enviada por Someone






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