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««NaDa e TudO»» |
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28/02/2004 02:45 Nunca gostei nem desgostei de Capital. E assim continuo. Só tenho um CD deles, da série Gold. Conversando outro dia com uma amiga, ela falou da música Independência. Acho que tenho um CD com essa música por aqui, eu disse, e fui pegá-lo. Acontece que eu nunca ouvi o CD que tenho aqui na íntegra, nem lembrava as músicas, e ainda me arrependi bastante quando o comprei. Desde a semana passada, no entanto, o que tenho ouvido quase ininterruptamente? Pois é, Capital Inicial sempre nas horas que antecedem o meu sono e durante o banho. Foi a trilha sonora da semana passada... E parece que vai entrar mais uma. Ah, mas não é o meu CD... Realmente dele eu não gosto. É o Acústico! Para quem é indiferente a algum artista, a escolha do CD faz muita diferença... Até estou pensando em ouvir o meu qualquer dia. Quem sabe não mudo de opinião? Ou ele é ruim mesmo? :-) Não sei... enviada por Someone 01/02/2004 13:55 Estava pensando como a maioria das coisas boas acontece quando menos esperamos... Quando estamos meio tristes, sozinhos, esperando um telefonema qualquer, ninguém aparece, ninguém diz nada, tudo contribui para que fiquemos ainda pior. Não queremos conversar, estamos quietos, taciturnos, e ao mesmo tempo esperamos um "oi, como você está?", que, em geral, não acontece quando é esperado. Por outro lado, quando estamos bem, os telefonemas sempre aparecem na hora errada, inoportuna, quando não podemos dar atenção por algum motivo. Não importa ele aconteceu. E é muito bom quando é inesperado... (Nada, no entanto, supera o inesperado de uma primeira vez...) Estou para colocar um texto aqui sobre esperança e desespero. Ainda não o coloquei porque falta digitá-lo. Não, não é do Osho. Desta vez é Krishnamurti. Em linhas gerais, a esperança gera o desespero e a ansiedade, uma vez que nos coloca em um tempo diferente do presente. enviada por Someone 30/01/2004 23:26 Cansei de olhos nos olhos. Em meados de fevereiro, quando Someone sair da clausura e voltar à vida (eu espero), vocês terão uma supresa aí do lado... Outra coisa: vou fechar o teste amanhã. Quem quiser fazer, esteja à vontade. enviada por Someone 30/01/2004 23:19 Emily Dickinson (1830-1886) This is my letter to the World That never wrote to Me The simple News that Nature told With tender Majesty Her message is committed To Hands I cannot see For love of Her Sweet countrymen Judge tenderly of Me Eis a minha carta ao Mundo Eis a minha carta ao Mundo Que a Mim nunca escreveu Singelas Notícias que a Natureza deu Com Majestade e doçura Sua Mensagem se destina A Mãos que nunca verei Por amor a Ela doces conterrâneos Julgai-me com ternura (Tradução: Isa Mara Lando) enviada por Someone 28/01/2004 15:18 Clausura Pois é, parece que estou virando especialista, daqui a pouco vou prestar consultoria. :-) A grande verdade é que eu não gosto muito de sair de casa, ou melhor, do meu quarto, para ser mais específica. Posso ficar semanas em casa, não vou sentir falta da rua, sério. (Mas, Someone, existe vida além das paredes da sua alcova... Pois é... A vida existe em qualquer lugar onde for desejada, e cada um vive à sua maneira, basta não exagerar...) Tenho reclamado dos últimos dias, não pela clausura, por não estar saindo, e sim por não poder fazer nada muito diferente que cumprir as obrigatoriedades. Por outro lado, não está sendo nada ruim, principalmente porque estou em um momento bem diferente do Comigo me desavim. Confinamento mais não posso viver comigo / nem posso fugir de mim não daria muito certo. E estou começando a fazer as pazes comigo... Gosto de uma certa clausura, mas isto já me custou um relacionamento (se alguém se lembra de meados do ano passado...). Minhas tentativas de fazer diferente chegaram um pouco atrasadas, no momento errado, não foram bem recebidas. Fiquei um pouco chateada, obviamente. Depois de tanta coisa errada, tanta apatia, indiferença claro que nada proposital, nada visto por mim dessa forma , quando tentei melhorar, plaft! Com a mesma pessoa não deu certo, tentei com outra, menos certo ainda. rs Não dá para querer começar nada com a sombra de algo que já passou, principalmente quando o momento carente está no ápice! Primeiro temos de ficar inteiros de novo, caso contrário a sobrecarga para o outro é imensa, e a nossa insatisfação também. O grande problema da clausura é: depois que eu entro e gosto, fica difícil sair... ;-) (Clausura agora em outro sentido, claro.) enviada por Someone 28/01/2004 02:31 Chocolate Descoberta No sábado minha mãe chegou com uma caixinha de Sem parar, da Nestlé. Olhei e disse: puxa, mãe, não gosto muito de Bis. Nossa, o nome do produto faz jus ao chocolate, acabei com a caixa no mesmo dia! Cada um vem embalado individualmente, são vários dentro da caixinha, muuuito bom! Infelizmente minha mãe havia comprado apenas uma! :-/ Hoje, no entanto, lá fui eu comprar mais duas! Minha aula terminou cedo, passei no NA (Nova América), Lojas Americanas... e Sem parar! Já experimentou?
Já que o assunto é chocolate, deixo minha ordem de preferência: 1. Nestlé (Hersheys, Kopenhagen... não necessariamente nessa ordem); 2. Lacta; 3. Garoto. enviada por Someone 28/01/2004 02:07 Momento vida acadêmica E foram por água abaixo os meus planos de terminar a leitura de Iracema nas férias. Vejam o porquê: Considerando os quatro textos estudados (Bakhtin, Watt, Barthes e Zola), é possível traçar o percurso do romance, da sua origem, no século XVIII, à sua consolidação, no século XIX. Nesse percurso, percebe-se a configuração de um gênero novo, que, se por um lado se afasta dos elementos canônicos da retórica clássica, por outro os atualiza, tendo por denominador comum uma nova forma de estruturação da representação literária, baseada no conceito de realismo conceito esse variável , de acordo com a proposta teórica de cada autor. Desenvolva um texto em que se analise o alcance desse percurso na elaboração do romance brasileiro do século XIX, especificamente em relação a quatro romances: A Moreninha, de J. M. de Macedo, Memórias de Um Sargento de Milícias, de M. A. de Almeida, Iracema, de J. de Alencar e O Cortiço, A. Azevedo. Os textos são: Epos e romance, Mikhail Bakhtin. O realismo e a forma romance, Ian Watt. O efeito de real, Roland Barthes. "O romance experimental, Émile Zola. Prazo de entrega do trabalho: 03/FEV/04. Considerando que eu não li nenhum dos textos teóricos, mais clausura... :-/ Pelo menos terei poucas aulas até o fim desta semana - apenas 5a. de manhã e 6a. à noite. enviada por Someone 25/01/2004 00:25 E o Rio de Janeiro só vai fazer 450 anos em 2015... (Estarei balzaquiana.) enviada por Someone 24/01/2004 21:33 Sem título Percorrera quase todos os andares do prédio à procura de uma sala vazia, onde pudesse dar continuidade às nove páginas que faltavam para ter a leitura do romance, finalmente, encerrada. Não gostaria de ser importunada. Trazia um suco de abacaxi consigo. Não poderia terminar a leitura antes do suco, por mais que esta fosse feita silenciosamente, apenas para si, sua garganta reclamava algo refrescante. Entregou-se à bebida inicialmente, depois, intercalava goles de suco com sorvos de palavras. Ambos se confundiam e fluíam com a mesma facilidade, o que a deixava extasiada. Como era de se esperar, o suco terminara primeiro. Deixou o copo vazio sobre a mesa, queria ter um cúmplice naquele momento, algo silencioso, que compartilhasse todas as linhas que eram sorvidas depois de já ter compartilhado o líquido , que pudesse acompanhá-la de perto, sem voz, sem som, sem palavras, apenas com a presença úmida. Segundos depois, no entanto, a paz fora quebrada. Uma parte do líquido que restava no fundo do copo, após um leve encontro entre uma das mãos e o canudo, molhou parte da mesa. Assim, retirou um papel da bolsa, consertou o estrago, foi até à lixeira mais próxima e lá deixou seu cúmplice, não sem sentir algum pesar, pois contava com sua presença até o final. Mas este não fora o único motivo pela quebra da paz chegara alguém, um alguém que não conseguia sorver palavras, que apenas as expelia sem qualquer comedimento. enviada por Someone 24/01/2004 15:18 Aluísio Azevedo (1857, Maranhão - 1913, Buenos Aires) "Fiz-me romancista, não por pendor, mas por me haver convencido da impossibilidade de seguir a minha vocação, que era a pintura. Quando escrevo, pinto mentalmente. Primeiro desenho os meus romances, depois redijo-os." (Aluísio Azevedo) "Aluísio Azevedo é no Brasil talvez o único escritor que ganha o pão exclusivamente à custa da sua pena, mas note-se que apenas ganha o pão: as letras no Brasil ainda não dão para a manteiga." (Valentim Magalhães) "Escrevo por força da fatalidade, como claudicaria, se houvesse nascido coxo; impulso de genitura, não de ideal. Assim como descrevo um episódio ou uma paisagem e desenvolvo um diálogo, cortaria peças de fazendas ou mantas de carne-seca, se tivesse vindo fadado para o comércio." (Aluísio Azevedo) "Há muito ajunta notas, freqüenta com assiduidade várias habitações coletivas, à cata de material humano, pesquisa episódios, colige dados, busca informes... Sua mesa transborda de notas, rascunhadas a bel-prazer, sem uniformidade, aqui e ali, em pequenos pedaços de papel. Vai escrevendo, dia e noite, a toda hora de que dispõe." (Raimundo de Menezes) enviada por Someone 24/01/2004 14:31 Adolescência e poesia (...) todo poeta começa por ser lírico, seja na evolução de sua obra, seja no ordem dos impulsos que lhe comandam a visão do mundo, justamente porque o lirismo constitui verbalização imediata e primeira de suas inquietudes emocionais e sentimentais. O lirismo seria o estado natural do eu para si próprio, e, portanto, a expressão da reação mais pronta do poeta em face dos estímulos de fora, e mesmo de dentro. O estado lírico seria o modo natural de toda a gente, sobretudo o poeta, comportar-se perante o mundo, a Natureza e os homens. Por isso, o poeta lírico expressaria emoções e sentimentos comuns à média das pessoas, especialmente adolescentes. Na verdade, o poeta lírico obedece a agentes estimuladores semelhantes àqueles que, nos anos juvenis, obrigam o moço a transformar em poesia (lírica) os sentimentos de dúvida e incerteza que acompanham a crise de personalidade própria da idade. Ou, quando não se acredita dotado de qualidades literárias, o jovem canaliza para as confidências com os amigos da mesma idade, ou os psicanalistas, os mestres, etc., todo o seu arsenal de lirismo difuso. O poeta lírico mantém-se fixado nesse estágio e encara o mundo emocional e sentimentalmente, isto é, como adolescente. De onde, o impulso lírico estaria na raiz de qualquer ato estético, em especial do ato poético. (MOISÉS, Massaud. A Criação Literária: Poesia. 15 a. ed. São Paulo: Cultrix, 2001, pp. 234-235.) enviada por Someone 23/01/2004 12:59 Razões da clausura (ou momento diário II) Janeiro dia 26 inglês (2a. prova, depois fico livre); dia 27 lingüística (2a. chamada, fico livre, finalmente); dia 28 literatura portuguesa (a primeira avaliação ainda, aquela que era para ter acontecido no primeiro dia de retorno às aulas, dia 05); dia 29 trabalho de teoria da literatura (primeiro, único e último, felizmente). Fevereiro dia 03 trabalho de literatura brasileira (as questões ainda nos serão passadas no dia 27, avaliação única); dia 05 cultura clássica (2a. chamada); dia 12 seminário de cultura clássica. Tema: os três últimos capítulos dAs Origens do Pensamento Grego (Jean Pierre-Vernant), que eu, diga-se de passagem, preciso ler até a próxima 3ª feira (de manhã), quando o grupo vai-se reunir pela primeira vez. E ainda faltam mais duas avaliações, não marcadas por enquanto. Tenho ou não tenho razão para o momento clausura?? Juro que eu não vou deixar mais nada acumular... heheh Neste período eu melhorei nas leituras obrigatórias dos romances, não dos textos teóricos. :-/ Atrás de cada data, com exceção da primeira, existem quinhentas leituras a serem feitas, daí a clausura. No próximo período, espero ser feliz com o casamento (romance + leitura teórica), não, tenho de ser mais organizada, na verdade. ;-) E no meio de tudo isso ainda há o niver (dia 28) da minha sobrinha, no dia 31. Vai fazer quatro anos. Será que ela vai entender meu confinamento? :-/ Difícil. É, parece que eu vou... enviada por Someone 22/01/2004 15:26 Momento diário Depois de sexta-feira passada, hoje foi o primeiro dia que eu saí de casa. Clausura total. Assim, parece que a minha semana está começando hoje, o que não significa que eu esteja me sentindo mais leve, pelo contrário. Não tenho feito nada diferente de ler. Ontem (quarta-feira) eu não fui à aula. Minha professora morreu, não aparece na faculdade desde o dia 5 de janeiro, eu só teria a aula dela, no último tempo, iria sair de casa à toa? Não posso adivinhar quando ela vai aparecer. Daí pedi à Naivefire para ir até a minha sala e me dar notícias da enferma. E a professora novamente não apareceu. Pelo menos deixou um recado dessa vez voltará na próxima semana. E a prova que teríamos feito no dia 05, se ela tivesse ido, será na próxima semana também. Felizmente não saí de casa à toa. É horrível quando isso acontece. Puxa, esses dias em casa foram tão bons. Sair de casa desconstrói alguma coisa aqui dentro. Hoje, por exemplo, acordei relativamente cedo (porém, como dormi poucas horas, estou acabada), fui à faculdade de manhã, voltei, almocei e daqui a pouco terei de ir novamente. Eu não gosto desse movimento ir e ter de voltar no mesmo dia. Só acontece dois dias na semana, vai continuar assim no próximo período, e é péssimo. Eu já chego pensando na volta, acabo não aproveitando o tempo como deveria. Os dias em que fiquei em casa foram ótimos, bem produtivos. Quer dizer, não adiantei tanto como poderia tê-lo feito, mas eu aproveitei de alguma forma, seja lendo obrigatoriedades ou não (mas lendo). Melhorando o que eu disse antes: sair de casa desconstrói alguns processos apenas quando eu vou à faculdade duas vezes no mesmo dia, ok? Outros tipos de saídas são bem-vindas. :-) Bom, mas o momento clausura persiste, pelo menos até a segunda semana de fevereiro, quando finalmente entrarei de férias. Ainda não fui ao cinema neste ano... :-/ Estou quase morrendo!! Lembro que no ano passado, no dia 02 de janeiro eu já estava na sala escura. Filme? "O Filho da Noiva". Ah, mas fevereiro está chegando... enviada por Someone 21/01/2004 23:25
"A minha imagem da Arte é como um Móbile. Um Móbile é uma escultura abstrata que você não pode fotografar. O Móbile não tem frente nem verso nem lado. O ser do Móbile é o movimento. Então, eu berro no início do disco: sou um Móbile solto no furacão, exatamente por causa disso. O Móbile solto no furacão é um movimento infinito, uma velocidade infinita e a minha relação com a arte, e, conseqüentemente, na prática que tenho, que é música, ela tem que se dar desta maneira: só sinto paz na instabilidade, a paz do móbile é o seu movimento. Tudo meu é exagerado, mas como são muitas coisas exageradas, elas de uma certa maneira se equilibram dentro dessa multiplicidade de facetas visuais, de facetas artísticas. No Móbile, especificamente, eu acho que comecei a investigar sonoricamente isso." (Paulinho Moska) No sábado, dei uma revisitada no CD Móbile (1999), do Moska (com o Paulinho como primeiro nome antes). Ouvi na MPB FM a música Sem dizer adeus em uma voz feminina, não lembro o nome da cantora agora, daí peguei o CD e ouvi tudo. Vou deixar alguns trechos... Onde anda a onda (Paulinho Moska) Pra onde essa onda vai? De onde essa onda vem? Eu não sei o que ela me traz Mas o meu desejo é que me leve também [...] Tudo é possível (Paulinho Moska) [...] Eu sei que o Tempo é uma grande árvore De galhos infinitos E que o presente é o momento Em que ela dá seu fruto mais bonito E que amanhã tudo talvez Nos apareça claro como foi no início A mesma ilusão de amor nos faz saltar feliz De um novo precipício E então vamos sentir de novo O gosto da eternidade E confundir instantes de alegria com a real felicidade Ou, sem percebermos, Os dias irão passando como um trem sem estação E lá estaremos nós com os pés no chão Mas encostando o céu com a palma das mãos Sem dizer adeus (Paulinho Moska) [...] Eu Fiquei sozinho até pensar Que estar sozinho é achar que tem alguém Já me esqueci do que não fiz E o que farei pra te esquecer também? Se eu não sei o nome do que sinto Não tem nome que domine o meu querer Não vou voltar atrás O chão sumiu a cada passo que eu dei Eu andei... Cedo ou tarde (Paulinho Moska) Desde o começo do dia Ela espera acabar com sua dor Alguma luz que apague As feridas da noite anterior Quando a vida enfim parecia Lhe ter dado a chance de abraçar o amor Ele fugiu pela porta no fim do corredor [...] Por acaso em Osaka Eu vim andando, vagando, vagabundeando Pelas ruas da cidade Eu vim chorando, sorrindo, não quero entender O porquê dessa dor que me invade Certas manhãs ou à tarde Todas as noites ela vem e me arde Na madrugada de sol desse quarto de hotel Nada de beleza nua Só a solidão tão crua De deslizar minhas palavras tão tristes neste papel [...] Ímã (Paulinho Moska) Acabo de pousar na sua janela E mesmo sem você notar Estou aqui porque não consegui Me distrair por aí Afinal, O que é que eu posso fazer Se não me lembro mais O que era antes de te conhecer? [...] Debaixo do sol (morrendo de frio) (Paulinho Moska) Estou debaixo do sol, morrendo de frio Procurando qualquer coisa no bolso, mas está vazio Andando pra nenhum lugar, falando sozinho Coitado do meu coração Que se partiu em pedaços em vão Não me lembro do instante exato, mas sei que caí No seu abismo de braços e nem percebi Só consigo recordar a perda de foco E a ausência de luz Quando acordei já estava na cruz [...] enviada por Someone 21/01/2004 19:26 Em que reside o lirismo no poema abaixo? Alguém quer fazer uma das questões do meu trabalho? (I'm kidding... Mas o trabalho é sério. rs) O Bicho (Manuel Bandeira) Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. "Lembro de um poema de Manuel Bandeira chamado O Bicho. Li esse poema, eu devia ter uns 10, 11 anos. Foi foderoso para mim. Definitivo. Daí por diante eu queria ser o Manuel Bandeira. Minha paixão pela literatura veio daí. Eu queria ser o Manuel Bandeira. Achava lindo a tuberculose dele. A melancolia dele." (Marcelino Freire - Leia toda a entrevista aqui.) enviada por Someone 20/01/2004 14:17
Pois é... Hoje tem show dela na praia. Como é pouco provável que ela cante a música abaixo, e eu gosto muito, vou deixar a letra por aqui... Ah, quem for ao show, depois me diz como foi, ok? Hóspede do tempo (Fred Martins / Zélia Duncan) Sou hóspede do tempo Da minha casa Das minhas palavras Das coisas que declaro minhas Inquilina da vida que me foi dada Portanto nada Ficou na minha bagagem Do velho brinquedo Que já não ilude, não me ilude O que eu tenho é minha atitude O que eu levo é minha atitude O que pesa é minha atitude Minha porção maior (Para Hilda Hilst) enviada por Someone 19/01/2004 17:24 Momento conheça um pouco mais Someone... Já disse, no primeiro mês de vida deste blog, que não gosto da pergunta Você gostou do filme? quando ainda se está dentro do cinema, sentado, dentro do filme praticamente, quando os créditos mal terminaram, enfim, nos minutos às vezes até segundos imediatos ao término. Não tenho nada contra a pergunta em si, apenas julgo o momento completamente inoportuno. Outra coisa que detesto: receber visitas inesperadas. Custa avisar? Bom, eu não costumo receber muitas visitas rs, falo em função das recebidas pela minha mãe, que indiretamente me afetam. Não existe nada pior do que você acordar bem tarde em um domingo, perceber vozes na sala, ficar sem saber se sai da cama ou não (geralmente não saio) e perceber que a pessoa apareceu de surpresa. Até que ontem eu tive sorte, quando me levantei e me dirigi ao banheiro, a pessoa havia saído por alguns instantes. Quando voltou eu estava no banho e não nos vimos. Não, não pensem que eu não gosto da pessoa, só acho que não custa nada avisar, por mais que a visita não seja para mim. rs Faz alguma diferença? Não, se eu tiver de atender com cara de sono, com os cabelos despenteados (aliás, sempre estão mesmo), enfim, atendo de qualquer jeito, tendo avisado ou não, a diferença é que me desagrada menos, só isso. Só não ligo para as visitas inesperadas do meu irmão, talvez a única exceção. Avós (maternos) também não me incomodam, mas, como estão morando por aqui, não entram na lista. Não dou desconto a mais ninguém tios, primos, amigos, etc., a menos que seja um caso muito extremo. Não é sempre que se está com vontade de falar com ou receber alguém. Na rua, por mais que eu não esteja em um dia bom, não dispenso cumprimentos às pessoas (vizinho, porteiro, ascensorista, etc.). A maioria não me conhece e não precisa pagar pelo meu mau-humor. E não é falsidade, apenas faz parte do código social, vejo como sinal de respeito. Não vou parar para conversar com ninguém mesmo. Agora, em casa é outra história. Estou bem, quero ficar quietinha, sozinha e chega alguém para desconstruir todo o meu psicológico? É falta de respeito, falta de educação, falta de senso, falta de tudo. rs Ai, espero que ninguém desista de me visitar depois dessas linhas. heheh Foi só um desabafo. Às vezes cansa... Custa avisar? enviada por Someone 19/01/2004 03:24 Novos bligs amigos... Enquanto alguns blogs vão dando sinais de cansaço (inclusive este, apesar da verborragia dos últimos dias), outros vão surgindo com toda a força, impetuosidade, e também com uma certa timidez. Na última semana, não sei se perceberam, as listas ao lado cresceram um pouco. Primeiro, Marie, uma amiga da faculdade, com o seu Letras, notas e sentimentos, depois foi a vez das visitas eventuais. Como não conheço as pessoas que lá se encontram, dispenso apresentações, apenas digo que são blogs bem interessantes de estudantes de cinema Minha vida em technicolor e Darkness & Hope. São links novos por aqui, blogs antigos. Ainda agora, no entanto, durante essa madrugada, depois de Marie, foi a vez de Fox criar o seu, horário nada mais apropriado, visto que as raposas possuem hábitos noturnos. Não sei qual será a temática, certamente não será raposa, mas vale a pena saber onde ela se esconde. :-) enviada por Someone 18/01/2004 18:35
[Play Dead - R. Gesomino] enviada por Someone 18/01/2004 18:21 Hope Sandoval
Fade Into You - Mazzy Star - I want to hold the hand inside you I want to take a breath that's true I look to you and I see nothing I look to you to see the truth You live your life You go in shadows You'll come apart and you'll go black Some kind of night into your darkness Colors your eyes with what's not there Fade into you Strange you never knew Fade into you I think it's strange you never knew A stranger's light comes on slowly A stranger's heart without a home You put your hands into your head And then smiles cover your heart Fade into you Strange you never knew Fade into you I think it's strange you never knew Fade into you Strange you never knew Fade into you I think it's strange you never knew I think it's strange you never knew [So Tonight That I Might See / 1993] enviada por Someone 17/01/2004 21:56 Hoje fiquei com febre a tarde inteira E quando chegar a noite Cada estrela parecerá uma lágrima" "Tudo depende de você, Todas as respostas estão aí dentro, Só você tem o poder de cura. Quem nunca ouviu ou não disse nada parecido? São frases verdadeiras? Creio que sim. Eu mesma já verbalizei pelo menos uma delas alguma vez. Outra: Você escolhe estar bem ou mal. É, vou apertar o botãozinho estar bem. Nem sempre funciona. Nunca funciona. Devo confessar que passei boa parte da semana ótima, até me causou estranhamento, juro que pensei: Someone, você está tão bem... Viu? Só ficamos mal quando queremos. Parece até que eu havia apertado o botão do estar bem, que nada!! E eu juro que hoje eu NÃO apertei o do estar mal. Fazer o quê? Acontece. enviada por Someone 17/01/2004 21:22 Ele sempre é capaz de falar perfeitamente para (ou por) mim. Preciso dizer quem é? :-) No dia triste o meu coração mais triste que o dia... Obrigações morais e civis? Complexidade de deveres, de conseqüências? Não, nada... O dia triste, a pouca vontade para tudo... Nada... [...] No dia triste o meu coração mais triste que o dia... No dia triste todos os dias... No dia tão triste... enviada por Someone 17/01/2004 18:55 Não, não é cansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Como tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço por quê? É uma sensação abstracta Da vida concreta - Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como... Como quê? Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua, Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, veja Confesso: é cansaço!... (Álvaro de Campos) enviada por Someone 17/01/2004 18:52 Um post antigo, não repetido... Acordou cantando de hoje em diante vou modificar / o meu modo de vida / (...) agora não vou mais chorar / cansei de esperar, de esperar enfim / e pra começar eu só vou gostar / de quem gosta de mim. Ao mesmo tempo percebeu que a receita não funcionava. Lembrou-se das pessoas que dela haviam gostado, das que continuavam gostando, e não lhes dava atenção. Sabia que seria amada, sabia que era amada, adorava tal sensação, mas não queria nada disso com as mesmas pessoas, ou melhor, com quem lhe dava a certeza e segurança de um sentimento genuíno. Não, o destino dela era outro gostar de quem não se importava com o seu sentimento. Seria a condenação por ter feito tantas pessoas sofrerem sua ausência? Não se sabe. Ou seria medo de amar? Outra possibilidade. A falta de respostas cada vez mais contribuía para o cepticismo em relação ao amor que sempre houvera feito parte de sua vida. Estava começando a aceitar o que para ela era destino não havia nascido para o amor, para amar e/ou ser amada, talvez tenha nascido apenas para vivê-lo nos livros, na imaginação. enviada por Someone 17/01/2004 14:38 "Toda vida é, obviamente, um processo de demolição." (Scott Fitzgerald) enviada por Someone 17/01/2004 14:19 Estou terminando de ler... "Ela tinha a boca aberta, a língua fora, os braços duros, os dedos inteiriços, e o corpo todo a tremer-lhe da cabeça aos pés, continuamente, como se estivesse morrendo; ao passo que ele, de súbito arremessado longe da vida por aquela explosão inesperada dos seus sentidos, deixava-se mergulhar numa embriaguez deliciosa, através da qual o mundo inteiro e todo o seu passado fugiam como sombras fátuas. E, sem consciência de nada que o cercava, nem memória de si próprio, sem olhos, sem tino, sem ouvidos, apenas conservava em todo o seu ser uma impressão bem clara, viva, inextinguível: o atrito daquela carne quente e palpitante, que ele em delírio apertou contra o corpo, e que ele ainda sentia latejar-lhe debaixo das mãos, e que ele continuava a comprimir maquinalmente, como a criança que, já dormindo, afaga ainda as tetas em que matou ao mesmo tempo a fome e a sede com que veio ao mundo" (O Cortiço - Aluísio Azevedo) Resolvi ser uma boa menina neste período, assim, tenho lido todas as obrigatoriedades acadêmicas (estou falando de literatura brasileira especificamente). Passei por "A Moreninha", "Memórias de um Sargento de Milícias", estou terminando "O Cortiço", só não tive paciência com o Alencar, que foi a leitura anterior. Não cheguei à metade de "Iracema". Depois de ter lido "Memórias de um Sargento..." na íntegra, creio que a edição (Ateliê Editorial) tenha ajudado bastante. Se tivesse sido uma menos cuidada, não sei se teria conseguido terminar. Tudo bem, a edição e meu estado menos rebelde foram felizes. Só não funcionaram com "Iracema"... A edição, aliás, não é das melhores. Depois, quem sabe, eu penso em terminá-lo. Melhor deixar para depois. ;-) enviada por Someone 15/01/2004 01:09 Petrarca (1304-1374) Não tenho paz nem posso fazer guerra; Temo e espero e do ardor ao gelo passo E vôo para o céu e desço à terra; E nada aperto e todo o mundo abraço. Prisão que nem se fecha ou se descerra, Nem me retém nem solta o duro laço, Entre livre e submissa esta alma erra, Nem é morto nem vivo o corpo lasso. Vejo sem olhos, grito sem ter voz; E sonho perecer e ajuda imploro; A mim odeio e a outrem amo após. Sustento-me de dor e rindo choro; A morte como a vida enfim deploro E neste estado sou, Dama, por Vós. Camões (1524-1580) Tanto de meu estado me acho incerto que, em vivo ardor, tremendo estou de frio; sem causa, juntamente choro e rio, o mundo todo abarco e nada aperto. É tudo quanto sinto um desconcerto; da alma um fogo me sai, da vista um rio; agora espero, agora desconfio; agora desvario, agora acerto. Estando em terra, chego ao céu voando; numhora acho mil anos, e é de jeito que em mil anos não posso achar umhora. Se me pergunta alguém, porque assi ando, respondo que não sei; porém suspeito que só porque vos vi, minha Senhora. enviada por Someone 14/01/2004 16:05 Perdas Ontem, contando o assalto que sofri a uma amiga na faculdade, ela me disse que não poderia perder seu cordão por nada, havia sido presente (também de quinze anos, eu acho) de uma amiga. A diferença desta para a minha história está no fato de a amiga não estar mais entre nós. Fiquei pensando: até hoje nunca perdi um(a) amigo(a), digo, nenhum amigo meu já faleceu. Já perdi tios (quase todos os irmãos da minha avó), um primo (meio distante) e um irmão que não cheguei a conhecer pessoalmente. Também já houve as perdas amorosas, claro. Perda aqui com um sentido diferente de morte física. Toda perda gera dor e sofrimento, em menor ou maior intensidade, não se tem como ficar impassível. Com o passar do tempo, a diferença é que a intensidade vai diminuindo, o tempo de vivência da dor diminui, afinal, as perdas sofridas já foram tantas, não se pode ter a mesma reação que uma dor primeira, as seguintes acabam sendo influenciadas, tornam-se mais brandas, creio que dificilmente são mais fortes, a menos que o motivo da dor seja novo, ou experimentado pela primeira vez. Por isso eu acho de extrema importância viver a dor de forma plena, viver todos os sentimentos, na verdade, mas a dor de preferência. Nunca é tempo perdido, pelo contrário, é tempo ganho. Ajuda a não repetir comportamentos anteriores, a não, agora sim, perder tempo com repetições que em nada acrescentam. E nada disso exclui a unicidade de cada experiência. enviada por Someone 14/01/2004 16:04 Curiosidade numérica uma observação de quem não tem (?) o que fazer Abri um livro na página 96, depois percebi que estava de cabeça para baixo, surpresa: o número continuou o mesmo. Fui até a página 69, idem. Parece que só acontece com esses números. O 66 passa a 99; o 68, a 89 e vice-versa. Considerei apenas os números nas posições corretas, sem troca de lado. enviada por Someone 13/01/2004 14:13 Shows imperdíveis!!! Eliana Printes 16 e 17 de janeiro Espaço III do Teatro Villa Lobos, às 21h. Av. Princesa Isabel, 490, Copacabana. Zélia Duncan 20 de janeiro Praia de Copacabana, às 19h. Em frente à rua Hilário de Gouveia. [Preciso dizer que eu não vou a nenhum? ;-)] enviada por Someone 13/01/2004 03:55 Calendário (ou momento divagação) Arrancou a última folha do calendário há doze dias. Pensou que tal gesto fosse capaz de virar a página do ano inteiro, ou que pelo menos tudo de ruim ficaria atrás daquela folha, atrás da ação renovadora de arrancar uma página. Os anos podem passar ou mudar com a chegada de um novo calendário, mas os acontecimentos do ano anterior sempre persistem, independentemente da página virada (ou arrancada). Os acontecimentos não sabem acompanhar a página que não mais se encontra no calendário. Os acontecimentos não sabem acompanhar a chegada de folhas novas, digo, das folhas com posições e número novos, só acompanham quem as troca. E, para este, o tempo só existe dentro, não em uma folha pendurada em qualquer lugar. enviada por Someone 13/01/2004 03:40 Furto 2004 já começou bem
Às vezes reclamam que eu sempre faço a mesma coisa, que nunca procuro mudar, que eu não tenho poder de decisão, etc. Hoje (2a. feira) eu fui até a Praça S. Peña. Geralmente eu salto do metrô, entro na General Roca e sigo para onde tiver de ir. Entramos em uma galeria, saímos em uma rua que eu não sei o nome (onde ficam o supermercado, a livraria Cultura, o Bob's...). Momento de indecisão: para onde? Someone fica calada. Depois, como o caminho escolhido era incomum para mim, eu engoli um geralmente eu vou pelo outro lado (Gen. Roca), seria como assinar um as coisas nunca mudam mesmo. E segui. Distraída, como sempre, desatenta, como sempre, fui andando, conversando e... pimba! Foi na esquina da igreja, a caminho do ponto de ônibus (não sei o número, mas fica na frente do 639). Havia um grupo de meninos de rua, o menor deles saltou na minha frente e puxou o cordão do meu pescoço, em segundos, não vi nada. Não, é claro que eu vi alguma coisa. Minha amiga é que não teve tempo de ver nada. Só ouviu o meu "já foi" e ficou indignada. Putz, agora meu pescoço vai ficar vazio por um bom tempo. rs Não tirava essa corrente para nada, nem para tomar banho. Sempre andei com ela pelo Centro, pela Tijuca mesmo, por Niterói, enfim, por onde quer que eu fosse. Fazer o quê? E ainda foi presente de uma amiga quando eu fiz 15 anos. Já fazia um bom tempo comigo. Lamentável. 2004 começou com perdas... O que mais este ano reserva para mim? Espero que coisas boas. Se continuar assim... :-/ Wake up, Someone!!!" enviada por Someone 13/01/2004 03:32 Conversa com a Mammy Mãe: Someone, você nem me disse que a Fulana ligou. Someone: Quando?? Mãe: Hoje, Someone, não foi você quem atendeu? Someone: Eu?? Atendi?? Mãe: Onde você está com a cabeça? Someone: Ah, não identifiquei a voz... Mãe: Você sempre identifica, e hoje parece que não está identificando nem a si mesma. Com a última frase minha mãe sintetizou todo o meu dia. enviada por Someone 10/01/2004 21:54 Ausência... Sei que não me entendo muito bem com prazos, datas, promessas, enfim, com o tempo. Todos sabem disso, não representa qualquer novidade. Só que, além de todos os problemas já conhecidos, surgiu mais um (pensando bem, pode até ser solução) por ordem superior, não mais posso acessar durante o dia, como era comum acontecer. Assim, o blog será atualizado e/ou comentado durante a semana sempre depois de meia-noite. Como às 3as. e 5as. eu estudo também de manhã, é pouco provável que às 2as. e 4as. eu coloque algo. E, como eu ando meio atarefada, enrolada, com a corda no pescoço, atrasada, etc., etc., vou ficar um tempo sem postar e sem comentar. Não vou deixar datas porque, como quase sempre, não as cumpro. Volto em qualquer madrugada... ;-) enviada por Someone Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
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